
Artigo técnico
Granalha de arame cortado G1, G2 ou G3
ABRASIVOS PARA SHOT PEENING
Por que o grau de condicionamento define onde pode ser usada
O arame cortado nasce cilíndrico
A granalha de arame cortado é fabricada cortando arame de aço trefilado em pedaços de comprimento aproximadamente igual ao seu diâmetro. O resultado direto desse corte é um cilindro com cantos vivos, não uma esfera. Essa é a diferença de origem em relação à granalha fundida, que sai esférica do processo de atomização mas carrega porosidade interna e inclusões. O arame cortado é 100 % sólido desde o primeiro dia, e por isso dura mais; mas para chegar à forma esférica que muitos processos exigem, precisa de uma etapa
Por que a cilíndrica não é usada em shot peening
Um grão cilíndrico impacta com suas arestas. Na limpeza isso é uma vantagem —o canto vivo corta e desprende contaminante—, mas no shot peening é um problema sério: a aresta pode mossar a superfície e gerar nesse ponto uma concentração de tensão de tração, exatamente o oposto da tensão de compressão que o processo busca introduzir. Uma peça tratada com abrasivo cilíndrico pode terminar com pontos de início de trinca em vez de resistência à fadiga. Por isso as especificações de peening exigem material condicionado.
O que é o condicionamento
O condicionamento é realizado em um equipamento de jateamento especialmente projetado para processar o próprio abrasivo: em vez de projetar a granalha contra peças, projeta-a contra placas antidesgaste alojadas em uma câmara preparada para receber o impacto de forma contínua. O material é recirculado por uma quantidade determinada de ciclos, e a cada passagem os cantos vivos vão perdendo o fio até alcançar o grau buscado.
Os graus não são processos distintos: são quantidades crescentes de ciclos no mesmo equipamento. Por isso a progressão de cilíndrica a G3 é contínua, e por isso o grau mais arredondado tem maior custo: mais horas de processo e mais perda de material por desgaste durante o próprio condicionamento.
Os quatro graus
Cilíndrica (as cut): o grão tal como sai do corte, com cantos vivos e faces planas.
G1 (condicionamento normal): os cantos estão quebrados mas o grão conserva sua forma cilíndrica reconhecível.
G2 (duplo condicionamento): forma arredondada mas irregular, sem arestas e ainda sem ser esférica.
G3 (condicionamento especial): forma praticamente esférica, sem vestígio da geometria original do corte.
A avaliação do grau é visual e comparativa, não dimensional: contrasta-se a amostra com padrões de referência.
Quando cada grau é especificado
A cilíndrica é empregada em limpeza e desareiamento, onde o canto vivo trabalha a favor e a peça não tem requisitos de fadiga. G1 e G2 cobrem o terreno intermediário: limpeza exigente, rebarbação e preparação de superfície onde se busca certa rugosidade sem agressividade. G3 é o grau do shot peening de precisão —aeronáutico, automotivo, molas e engrenagens— onde a uniformidade do impacto define a homogeneidade das tensões residuais e a repetibilidade entre lotes.
Os quatro graus de condicionamento
| Grau | Forma | Onde é especificado |
|---|---|---|
| Cilíndrica (as cut) | Cantos vivos e faces planas, tal como sai do corte | Limpeza e desareamento; não apta para shot peening |
| G1 (condicionamento normal) | Cantos quebrados; conserva forma cilíndrica reconhecível | Limpeza exigente, rebarbação, preparação de superfície |
| G2 (duplo condicionamento) | Arredondada mas irregular, sem arestas; ainda não esférica | Terreno intermediário: rugosidade sem agressividade |
| G3 (condicionamento especial) | Praticamente esférica, sem vestígio da geometria do corte | Shot peening de precisão (aeronáutico, automotivo, molas, engrenagens) |
Nota: os graus não são processos distintos, mas quantidades crescentes de ciclos de condicionamento; a progressão é contínua. A avaliação é visual e comparativa contra padrões de referência. A maior grau, maior custo (mais horas de processo e mais perda de material).
Por que dura mais que a granalha fundida
A granalha fundida, ao se desgastar, fratura e gera fragmentos angulares que mudam o comportamento do processo e obrigam a classificar com mais frequência. O arame cortado não fratura: delamina, desgasta-se por camadas e conserva a forma esférica até o fim de sua vida útil. Essa é a razão técnica por trás de sua maior durabilidade e da estabilidade do mix operacional.
O que a norma exige
A norma de referência é SAE J441, específica da granalha de arame cortado, complementada pela AMS 2431 para aplicações aeroespaciais. Dentro da AMS 2431 convivem duas especificações de dureza: AMS 2431/3D (AWCR), de dureza regular, e AMS 2431/8A (AWCH), de alta dureza. A escolha entre ambas não é «mais duro é melhor»: quanto maior a dureza, menor a durabilidade do meio, portanto o critério depende da intensidade Almen requerida e do material da peça.
Normas y grados de dureza
| Norma | Designación | Dureza | Aplicación |
|---|---|---|---|
| SAE J441 | — | — | Norma base de la granalla de alambre cortado |
| AMS 2431/3D | AWCR | Regular | Aplicaciones aeroespaciales |
| AMS 2431/8A | AWCH | Alta | Aplicaciones aeroespaciales |
Nota: la elección no es «más duro es mejor». A mayor dureza, menor durabilidad del medio; el criterio depende de la intensidad Almen requerida y del material de la pieza.
Publicado: julho de 2026 - Atualizado: julho de 2026
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